
Tucunaré-açu
Cichla monoculus · Cichlidae
- Água doce
- Predadores
- Médio
- Tamanho
70 cm
- Peso
9,0 kg
- Temp. água
25–28 °C
Onde pescar
- Estuário
- Lago
- Rio
Ícones dos ambientes: Flaticon
O tucunaré-monoculus é um ciclídeo carnívoro amazônico identificado por uma única mancha ocelar no flanco, além daquela na base da nadadeira caudal. Ele habita as margens vegetadas de lagos e rios, onde embosca suas presas.
Calendário
A sua área de distribuição
A espécie ocupa o rio Solimões-Amazonas, ao longo do canal principal e nos cursos inferiores dos afluentes, no Peru, na Colômbia e no Brasil, incluídos o Araguari e o baixo Oiapoque, ao norte do Amazonas.
Ela é provavelmente bem mais espalhada pelas terras baixas amazônicas do que os inventários estabelecem, e a documentação diz isso com todas as letras.
Reconhecê-lo
Três barras verticais escuras no flanco, uma barra occipital pronunciada nos indivíduos grandes, nenhuma marca preta ou ocelada nas laterais da cabeça e manchas escuras irregulares na frente do ventre. Esse conjunto o aproxima de outras duas espécies do gênero.
A separação se faz pela contagem: sessenta e oito a oitenta e sete escamas na fileira lateral, contra oitenta e quatro a noventa e três numa delas, e ausência habitual de barra vertical escura na frente do pedúnculo caudal.
A reprodução
Os machos amadurecem com um ano, as fêmeas com dois. Essa defasagem de um ano entre os sexos é nítida e não tem equivalente explícito entre os parentes.
A reprodução não é claramente sazonal. Nesse período, os machos grandes desenvolvem uma giba frontal e se tornam territoriais — a giba é, portanto, um caráter temporário ligado à reprodução, e não um sinal de espécie.
A espécie desova três a quatro vezes por ano, em lotes de cinquenta a cem ovos, e cada desova dura duas a três horas.
Esses números são notavelmente baixos. Cinquenta a cem ovos por desova, contra nove a quinze mil por quilo numa espécie vizinha: não é a mesma estratégia, e isso pressupõe aqui um cuidado parental eficaz.
A água de que precisa
Os exemplares coletados vinham de áreas sujeitas a inundação, mas na Amazônia seus ambientes são mais variados.
O peixe patrulha ao longo das barrancas, onde os peixinhos se concentram. É um comportamento de caça de beirada, e ele orienta diretamente a prospecção: a margem, e não a plena água.
Áreas
- Margens vegetadas de lagoas
- Bocas de igarapés
- Poços sob madeira submersa
- Áreas rasas na seca
Técnicas
- Lança-e-recolhe com iscas nadadeiras
- Jigging vertical
- Pesca com isca viva
- Morto manobrado na superfície
Iscas
- Iscas nadadeiras coloridas
- Jigs de chumbo
- Peixes vivos locais
- Colheres giratórias
- Isca macia tipo shad
Do que se alimenta
Os juvenis comem camarões, e os adultos são quase exclusivamente piscívoros.
Essa virada do camarão para o peixe é a do gênero. Nesta espécie, ela é descrita como quase total: um adulto praticamente não volta aos invertebrados.
Como pescá-lo
A barranca, e a patrulha. Um predador que costeia a margem atrás de concentrações de alevinos se pesca cobrindo a beirada, não sondando o meio.
A giba frontal dos machos grandes assinala um peixe territorial em período de reprodução: agressivo, portanto fácil de provocar, e ocupado em defender uma ninhada de apenas cinquenta a cem ovos. A relação entre a facilidade da captura e o custo da desova é aqui particularmente desfavorável.
O porte coloca a espécie entre as grandes do gênero, e o equipamento se escolhe de acordo.
Conservação
Uma desova de cinquenta a cem ovos, três a quatro vezes por ano, é um investimento minúsculo diante dos milhares de ovos de outros ciclídeos. Toda a reprodução se apoia, portanto, na sobrevivência de cada ninhada — e, por consequência, na presença do casal.
É isso que torna desproporcional a retirada dos adultos territoriais em período de reprodução: não é um peixe que sai da água, é uma ninhada inteira.
Regulamentação
Consultar a regulamentação local em vigor (tamanho mínimo legal, períodos de defeso, cotas de captura).
Apenas para orientação. Tamanhos legais, cotas e épocas de pesca variam conforme o local e a temporada: verifique sempre a regulamentação local vigente antes de pescar.
Outros nomes
Tucunaré-açu no Brasil; peacock bass em inglês e também em francês. O epíteto monoculus remete ao ocelo único da caudal, marca comum a todo o gênero e que, por isso mesmo, não basta para identificá-lo — é um nome enganoso.
Fontes: fishbase.se · api.gbif.org