
Xaréu-preto
Caranx lugubris · Carangidae
- Mar
- Mar costeiro
- Médio
- Tamanho
70–100 cm
- Peso
5,0–18 kg
- Longevidade
12 anos
- Profundidade
12–354 m
Onde pescar
- Recife
- Costa rochosa
- Alto-mar
Ícones dos ambientes: Flaticon
A caranña negra é uma carangídea oceânica de águas profundas, com coloração escura quase preta. Frequenta águas offshore ao redor de ilhas e montes submarinos, distinguindo-se pelo corpo robusto e coloração uniforme.
Calendário
Registrada em 31 países
Austrália · Bahamas · Brasil · Camarões · Colômbia · Costa do Marfim · Costa Rica · Equador · Estados Unidos · Gabão · Gana · Guadalupe · Guiné · Guiné-Bissau · Ilhas Cayman · Ilhas Marianas do Norte · Ilhas Marshall · Ilhas Virgens Americanas · Japão · Libéria · Maldivas · México · Nigéria · Países Baixos Caribenhos · Polinésia Francesa · Porto Rico · República do Congo · Samoa Americana · Santa Helena · Senegal · Serra Leoa
Registros do GBIF — espécies nativas e introduzidas sem distinção.
A sua área de distribuição
A área é circumtropical, mas a lista das localidades conhecidas conta outra história que não a de um cinturão contínuo. Índico ocidental: Natal e East London, na África do Sul, Reunião, Maurício, os Cargados Carajos, as Seicheles. Atlântico leste: Açores, Madeira, os rochedos de São Paulo, Ascensão, Cabo Verde, golfo da Guiné. Atlântico oeste: Bermudas e norte do golfo do México até o Brasil. Pacífico oeste: do sul do Japão à Nova Caledônia, com um registro recente em Tonga. Pacífico oriental central: do México, Revillagigedo incluído, até a Costa Rica.
Quase todos esses nomes designam ilhas, arquipélagos perdidos ou rochedos isolados. Bate com o que se sabe do peixe: ele é oceânico e insular, preso com rigor às águas claras de fora, e quase não frequenta os baixios. Sua área não é uma faixa, e sim uma semeadura de pontos — em toda parte onde água funda e limpa encontra uma encosta abrupta, e em lugar nenhum da plataforma continental que separa esses pontos.
Essa geografia tem uma consequência prática. Uma população insular só se comunica com a vizinha atravessando centenas de quilômetros de mar aberto.
Reconhecê-lo
As contagens não bastam aqui, e convém saber disso antes de abrir qualquer chave. Nove espinhos dorsais, de vinte a vinte e dois raios moles, três espinhos anais, de dezesseis a dezenove raios: esses valores caem dentro das faixas de vários outros xaréus, e nenhum deles resolve sozinho.
Quem decide é o tom geral, escuro e uniforme, em que todas as línguas se apoiaram para batizar o peixe. O corpo é fusiforme, comprimido lateralmente, sem as manchas operculares nem os filetes claros que denunciam os congêneres.
O lugar da captura é o segundo critério, e vale quase tanto quanto um caráter de morfologia. Um xaréu escuro trazido de um paredão oceânico, longe de qualquer plataforma continental, a quarenta metros de fundo ao largo de uma ilha isolada, não deixa muitos outros candidatos em pé.
A água de que precisa
A profundidade vai de doze a trezentos e cinquenta e quatro metros, mas o essencial se passa entre vinte e quatro e sessenta e cinco. Essa faixa de quarenta metros é estreita diante da amplitude total, e serve tal como está.
O ponto é o paredão, na borda externa do recife, ali onde o declive despenca para o azul. O peixe fica bentopelágico, nem colado ao fundo nem na superfície, e às vezes forma grupos.
Áreas
- Paredões recifais profundos
- Naufrágios offshore
- Águas azuis do mar aberto
- Pontas e cabos rochosos
Técnicas
- Pesca com isca metálica
- Peixe morto animado
- Jigging vertical
- Pesca de corrico
Iscas
- Iscas metálicas
- Peixes mortos inteiros
- Jigs chumbados
- Iscas artificiais macias
Do que se alimenta
Come peixes, e caça à noite.
Um predador ictiófago instalado num paredão oceânico intercepta uma forragem que não é a da laguna: são os pequenos pelágicos e os peixes de meia-água que margeiam o declive, não os moradores do recife raso.
Como pescá-lo
O paredão, entre vinte e quatro e sessenta e cinco metros, resume o ponto. Bater o recife raso ou os fundos costeiros não dá nada: a espécie não ocupa os baixios, e sua presença depende da vizinhança imediata de um grande fundo.
A atividade alimentar é noturna, o que desloca as melhores horas em relação à maior parte das pescarias de recife. O peixe forma grupos de vez em quando, sem por isso ser gregário: uma captura não anuncia sempre as seguintes.
O porte é modesto para o gênero: o tamanho corrente é de setenta centímetros. É um xaréu médio, que não se enfrenta com o material reservado aos gigantes indo-pacíficos.
A idade máxima registrada é de doze anos, e a maturidade chega a partir de trinta e oito centímetros.
Há casos de ciguatera relatados. A particularidade, aqui, vem da geografia do peixe: como ele vive ilha por ilha, o histórico das intoxicações também se lê ilha por ilha, e o que vale para um arquipélago não se transfere para o seguinte.
Conservação
O isolamento das populações é o fato que conta. Uma espécie repartida em unidades insulares separadas por mar aberto não forma um estoque único, e sim uma coleção de pequenos estoques locais, e o recrutamento de uma ilha não repõe com facilidade o que se tirou de outra.
Essa estrutura torna o veredito global pouco informativo: ele incide sobre a soma, enquanto a pesca se exerce sobre uma ilha de cada vez. A avaliação de referência, aliás, é de agosto de 2012, a mais antiga entre os grandes xaréus.
A exploração comercial continua pequena, o que limita a pressão por ora. São as pescarias locais das ilhas menores, onde a espécie responde por boa parte do que sai dos paredões, que decidem o destino real do peixe.
Regulamentação
Consulte a regulamentação local vigente (tamanho mínimo legal, períodos de defeso, cotas).
Apenas para orientação. Tamanhos legais, cotas e épocas de pesca variam conforme o local e a temporada: verifique sempre a regulamentação local vigente antes de pescar.
Outros nomes
Xaréu-preto em português do Brasil, carangue noire em francês, black jack ou black trevally em inglês, jurel negro em espanhol, schwarze Stachelmakrele em alemão: todas as línguas guardaram a mesma coisa, e não há, desta vez, ambiguidade nenhuma de um país para outro.
O epíteto latino lugubris quer dizer “de luto”. O naturalista nomeou a cor antes dos pescadores, e exatamente nos mesmos termos.
Fontes: fishbase.se · api.gbif.org