
Traíra
Hoplias malabaricus · Erythrinidae
- Água doce
- Predadores
- Médio
- Tamanho
65 cm
- Peso
3,8 kg
- Temp. água
20–26 °C
Onde pescar
- Estuário
- Rio
Ícones dos ambientes: Flaticon
A traíra é um predador robusto da família Erythrinidae, com corpo cilíndrico castanho-oliváceo salpicado de manchas escuras e uma boca larga armada de dentes afiados. Muito resistente, sobrevive em águas com baixo teor de oxigênio graças à capacidade de respirar ar na superfície.
Calendário
A sua área de distribuição
Da Costa Rica à Argentina, em quase todas as bacias: quarenta e seis graus de latitude, dois subcontinentes e praticamente nenhum vazio no mapa.
Essa onipresença não conta uma história de colonização, e sim de tolerância. O peixe aceita pH de 6 a 8, dureza de 4 a 25, temperaturas de vinte a vinte e seis graus e, acima de tudo, ambientes que não têm nada em comum entre si. Nenhuma dessas variáveis o barra em lugar algum.
Uma área de ocorrência tão fechada quer dizer que o que limita a espécie precisa ser procurado fora da geografia. Onde há água parada, ela está.
A reprodução
A fecundação acontece dentro da nadadeira anal da fêmea, que se encurva em forma de taça para receber os ovos e o esperma. O arranjo quase não tem paralelo: os ovos ficam retidos junto ao corpo pelo tempo da fecundação, em vez de serem soltos na água e entregues à dispersão.
Depois disso eles ficam adesivos, e é nesse momento que são depositados numa cova escavada na água rasa, por volta de vinte e seis graus. O macho toma conta deles, e continua de guarda depois da eclosão — não é a desova que ele defende, são as larvas.
A sequência tem uma consequência prática. Durante toda a estação quente, um macho fica preso a alguns decímetros quadrados de água baixa, agressivo, e avança contra qualquer coisa que chegue perto. Tirá-lo de lá é retirar a única proteção de uma ninhada.
A maturidade já se observa aos dezessete centímetros, o que deixa à espécie uma longa carreira de reprodutor.
A água de que precisa
A lista de suas águas é a mais ampla que um predador pode exibir: riachos claros e rápidos até o alto dos vales, águas lentas e carregadas da planície, canais de irrigação, valas de drenagem, lagoas.
Uma vala de irrigação não é habitat marginal para ela, é habitat corriqueiro. Isso merece ser anotado por quem prospecta: as águas que se descartam de saída em outros lugares — estreitas, mornas, estagnadas, agrícolas — aqui são pontos de pesca por direito próprio.
De dia, descansa na vegetação. De noite, caça. A virada é nítida e vale em todos os ambientes que ela ocupa.
Áreas
- Herbais densos em água doce
- Zonas pantanosas e lagoas
- Margens obstruídas de rios
- Águas rasas e sombreadas
Técnicas
- Iscas de superfície
- Pesca com isca viva
- Iscas de borracha nos herbais
- Popper resistente a galhos
Iscas
- Peixinhos vivos
- Rãs
- Iscas de borracha imitação de peixe
- Colheres giratórias
Do que se alimenta
Os adultos comem peixe. Os jovens vivem de larvas de insetos, crustáceos, camarões e invertebrados variados, e a troca acompanha o crescimento.
O essencial não é a lista, é o método. Um caçador que passa o dia imóvel dentro de um herbal não persegue: espera que a presa entre no seu raio de ação, e esse raio é curto. Toda a sua morfologia, cilíndrica e musculosa atrás, serve a essa arrancada única.
Como pescá-lo
Pesca-se o ponto, não a superfície de água. Como o peixe fica encostado no abrigo, o arremesso tem de cair rente à vegetação, à madeira ou à faixa sombreada; a um metro de distância, não acontece nada.
O horário dobra as chances. A caça começa ao cair do dia e segue pela noite, enquanto o período diurno obriga a ir buscar um peixe em repouso, o que exige passar muito perto e muito devagar.
A época de reprodução oferece uma oportunidade e uma escolha. Os machos de guarda ocupam a água baixa e atacam por reflexo territorial, o que os torna fáceis de localizar e de provocar; o que vem depois da captura é decisão do pescador.
Falta o manejo, que nessa espécie não é detalhe. Dentes afiados, mandíbulas fortes, corpo coberto de um muco escorregadio: um exemplar vivo é difícil de segurar e capaz de ferir. A pegada se faz com alicate para desenganchar e um apoio firme atrás da cabeça, nunca os dedos dentro da boca. A maioria dos acidentes vem do peixe que se vira na mão, não de um ataque.
Regulamentação
Consulte a regulamentação local vigente (tamanho mínimo, períodos de defeso, cotas de pesca).
Apenas para orientação. Tamanhos legais, cotas e épocas de pesca variam conforme o local e a temporada: verifique sempre a regulamentação local vigente antes de pescar.
Outros nomes
Traíra é palavra tupi que passou ao português, e no Brasil cobre este peixe e seus parentes próximos. O espanhol tomou o termo tal como está; o francês oscila entre a palavra brasileira e o inglês wolf fish.
Esse anglicismo é uma armadilha. Wolf fish também nomeia o peixe-lobo do Atlântico, um marinho das águas frias do Norte, sem o menor parentesco com um caraciforme tropical. Os dois foram chamados de lobo pelo mesmo motivo — a dentição à vista — e não há nada além disso a tirar daí.
A espécie é criada em aquicultura, pescada comercialmente e exibida em aquários públicos, o que multiplica os nomes locais de um país para outro.
Fontes: fishbase.se · api.gbif.org