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EspéciesNós
Traíra
Foto: Piscary

Traíra

Hoplias malabaricus · Erythrinidae

  • Água doce
  • Predadores
  • Médio
  • Tamanho

    65 cm

  • Peso

    3,8 kg

  • Temp. água

    20–26 °C

Onde pescar

  • Estuário
  • Rio

Ícones dos ambientes: Flaticon

A traíra é um predador robusto da família Erythrinidae, com corpo cilíndrico castanho-oliváceo salpicado de manchas escuras e uma boca larga armada de dentes afiados. Muito resistente, sobrevive em águas com baixo teor de oxigênio graças à capacidade de respirar ar na superfície.

Calendário

Registrada em 9 países

Argentina · Bolívia · Brasil · Colômbia · Equador · Guiana Francesa · Peru · Suriname · Trinidad e Tobago

Registros do GBIF — espécies nativas e introduzidas sem distinção.

A sua área de distribuição

Da Costa Rica à Argentina, em quase todas as bacias: quarenta e seis graus de latitude, dois subcontinentes e praticamente nenhum vazio no mapa.

Essa onipresença não conta uma história de colonização, e sim de tolerância. O peixe aceita pH de 6 a 8, dureza de 4 a 25, temperaturas de vinte a vinte e seis graus e, acima de tudo, ambientes que não têm nada em comum entre si. Nenhuma dessas variáveis o barra em lugar algum.

Uma área de ocorrência tão fechada quer dizer que o que limita a espécie precisa ser procurado fora da geografia. Onde há água parada, ela está.

A reprodução

A fecundação acontece dentro da nadadeira anal da fêmea, que se encurva em forma de taça para receber os ovos e o esperma. O arranjo quase não tem paralelo: os ovos ficam retidos junto ao corpo pelo tempo da fecundação, em vez de serem soltos na água e entregues à dispersão.

Depois disso eles ficam adesivos, e é nesse momento que são depositados numa cova escavada na água rasa, por volta de vinte e seis graus. O macho toma conta deles, e continua de guarda depois da eclosão — não é a desova que ele defende, são as larvas.

A sequência tem uma consequência prática. Durante toda a estação quente, um macho fica preso a alguns decímetros quadrados de água baixa, agressivo, e avança contra qualquer coisa que chegue perto. Tirá-lo de lá é retirar a única proteção de uma ninhada.

A maturidade já se observa aos dezessete centímetros, o que deixa à espécie uma longa carreira de reprodutor.

A água de que precisa

A lista de suas águas é a mais ampla que um predador pode exibir: riachos claros e rápidos até o alto dos vales, águas lentas e carregadas da planície, canais de irrigação, valas de drenagem, lagoas.

Uma vala de irrigação não é habitat marginal para ela, é habitat corriqueiro. Isso merece ser anotado por quem prospecta: as águas que se descartam de saída em outros lugares — estreitas, mornas, estagnadas, agrícolas — aqui são pontos de pesca por direito próprio.

De dia, descansa na vegetação. De noite, caça. A virada é nítida e vale em todos os ambientes que ela ocupa.

Áreas

  • Herbais densos em água doce
  • Zonas pantanosas e lagoas
  • Margens obstruídas de rios
  • Águas rasas e sombreadas

Técnicas

  • Iscas de superfície
  • Pesca com isca viva
  • Iscas de borracha nos herbais
  • Popper resistente a galhos

Iscas

  • Peixinhos vivos
  • Rãs
  • Iscas de borracha imitação de peixe
  • Colheres giratórias

Do que se alimenta

Os adultos comem peixe. Os jovens vivem de larvas de insetos, crustáceos, camarões e invertebrados variados, e a troca acompanha o crescimento.

O essencial não é a lista, é o método. Um caçador que passa o dia imóvel dentro de um herbal não persegue: espera que a presa entre no seu raio de ação, e esse raio é curto. Toda a sua morfologia, cilíndrica e musculosa atrás, serve a essa arrancada única.

Como pescá-lo

Pesca-se o ponto, não a superfície de água. Como o peixe fica encostado no abrigo, o arremesso tem de cair rente à vegetação, à madeira ou à faixa sombreada; a um metro de distância, não acontece nada.

O horário dobra as chances. A caça começa ao cair do dia e segue pela noite, enquanto o período diurno obriga a ir buscar um peixe em repouso, o que exige passar muito perto e muito devagar.

A época de reprodução oferece uma oportunidade e uma escolha. Os machos de guarda ocupam a água baixa e atacam por reflexo territorial, o que os torna fáceis de localizar e de provocar; o que vem depois da captura é decisão do pescador.

Falta o manejo, que nessa espécie não é detalhe. Dentes afiados, mandíbulas fortes, corpo coberto de um muco escorregadio: um exemplar vivo é difícil de segurar e capaz de ferir. A pegada se faz com alicate para desenganchar e um apoio firme atrás da cabeça, nunca os dedos dentro da boca. A maioria dos acidentes vem do peixe que se vira na mão, não de um ataque.

Regulamentação

Consulte a regulamentação local vigente (tamanho mínimo, períodos de defeso, cotas de pesca).

Apenas para orientação. Tamanhos legais, cotas e épocas de pesca variam conforme o local e a temporada: verifique sempre a regulamentação local vigente antes de pescar.

Outros nomes

Traíra é palavra tupi que passou ao português, e no Brasil cobre este peixe e seus parentes próximos. O espanhol tomou o termo tal como está; o francês oscila entre a palavra brasileira e o inglês wolf fish.

Esse anglicismo é uma armadilha. Wolf fish também nomeia o peixe-lobo do Atlântico, um marinho das águas frias do Norte, sem o menor parentesco com um caraciforme tropical. Os dois foram chamados de lobo pelo mesmo motivo — a dentição à vista — e não há nada além disso a tirar daí.

A espécie é criada em aquicultura, pescada comercialmente e exibida em aquários públicos, o que multiplica os nomes locais de um país para outro.

Fontes: fishbase.se · api.gbif.org

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