
Trairão
Hoplias aimara · Erythrinidae
- Água doce
- Predadores
- Médio
- Perigoso
- Tamanho
100 cm
- Peso
40 kg
Onde pescar
- Rio
Ícones dos ambientes: Flaticon
Vive nas zonas de contracorrente dos principais rios e igarapés. Alimenta-se principalmente de peixes, mas também de outros animais que caem na água, como pequenos invertebrados terrestres
Calendário
A sua área de distribuição
Os rios citados têm um ponto em comum que a lista não diz: Trombetas, Jari, Tapajós, Xingu, Tocantins, Araguari, os rios costeiros das Guianas, o baixo Orinoco. Todos descem dos velhos escudos cristalinos que cercam a calha amazônica ao norte e ao sul.
Um rio de escudo não se parece com um rio de planície. Ele corre sobre a rocha, é claro, encadeia soleiras, cachoeiras e caos de blocos, e sua vazão varia bruscamente. É essa geologia que desenha a área, não a latitude nem a temperatura.
A espécie falta, portanto, no coração da própria Amazônia, nas águas brancas e lentas do leito maior, embora ocupe os afluentes que ali desaguam. São os afluentes que trazem as corredeiras.
A reprodução
A desova dispara no início da estação das chuvas, de dezembro a março, quando as corredeiras ficam impraticáveis e os rios se carregam.
A fecundidade é proporcional ao tamanho, e o que impressiona é a amplitude: cerca de seis mil ovos numa fêmea pequena, sessenta mil numa grande. Um fator dez entre os dois extremos de uma população.
Essa relação tem alcance direto. Dez fêmeas médias não substituem uma grande, e o peixe excepcional que se devolve à água não vale uma captura comum, e sim dez. Já a maturidade, alcançada por volta dos vinte e dois centímetros, chega muito cedo num crescimento que segue por muito tempo depois dela.
A água de que precisa
Ele fica nas zonas de contracorrente dos rios principais e dos igarapés. A contracorrente é a água que volta atrás de um obstáculo — um bloco, uma ponta rochosa, um pé de cachoeira — e forma um remoinho lento contra o fio da correnteza.
É um posto de predador por uma razão mecânica. Tudo o que a correnteza carrega é freado e retido ali, no limite entre as duas veias d'água; um caçador de emboscada encontra ali um fluxo regular de presas sem precisar nadar.
Procurar esse peixe é portanto ler os remoinhos, e não cobrir superfície. Cada bloco grande numa corredeira abriga um em potencial, e o número de postos de um trecho se conta a olho.
Áreas
- Corredeiras e zonas rochosas
- Pé de cachoeiras
- Poços atrás das pedras
- Confluências de rios
Técnicas
- Pesca com isca viva na correnteza
- Iscas duras resistentes
- Popper de superfície nas calmas
- Isca morta animada
Iscas
- Peixes vivos grandes
- Iscas duras imitação de peixe
- Poppers resistentes
- Peixes mortos naturais
Do que se alimenta
O peixe constitui o essencial do regime, completado pelo que cai na água — pequenos invertebrados terrestres, bichos levados da margem ou do dossel.
Essa segunda parcela é coerente com o posto. Uma contracorrente recolhe tanto a deriva de superfície quanto a do fundo, e um predador instalado ali intercepta tudo o que o rio carrega, seja qual for a origem.
Sua atividade se concentra no crepúsculo e durante a noite.
Como pescá-lo
A época se escolhe ao contrário da desova. Nas águas baixas, as corredeiras ficam acessíveis, os postos legíveis e as contracorrentes reduzidas a algumas bolsas; na cheia, tudo afunda e o peixe se dispersa num volume dez vezes maior.
A hora acompanha o ritmo de atividade: a última hora do dia e a noite valem mais que o sol a pino, o que contraria a lógica da prospecção em corredeiras, mais fácil em plena luz.
A dupla origem das presas justifica dois registros. Uma isca de superfície trabalhada na calma atrás de um obstáculo imita o que cai; uma isca artificial nadadeira ou um peixe vivo apresentado na veia imita o que deriva. Quem decide é o posto, não o catálogo de iscas.
O equipamento se dimensiona pelo ambiente tanto quanto pelo peixe. Uma briga travada no contato com os blocos, numa água que empurra, não deixa espaço para segunda chance: o que não se ganha nos primeiros segundos se perde contra a rocha.
Perigoso — Manuseio arriscado: equipamento, soltura e segurança devem ser adaptados.
Conservação
Nada pesa sobre a espécie na escala da sua área, e ainda assim a qualidade reconhecida da sua carne faz dela alvo constante das pescas locais.
O ponto sensível está em outro lugar, na relação entre tamanho e fecundidade. Uma pressão que visa os exemplares grandes — e é o que faz toda pesca seletiva, inclusive a esportiva — retira da população os indivíduos que produzem mais ovos. Tirar dez fêmeas pequenas custa menos a um estoque do que tirar uma muito grande, o que é exatamente o inverso da intuição.
Regulamentação
Consulte a regulamentação local vigente (tamanho mínimo, períodos de defeso, cotas de pesca).
Apenas para orientação. Tamanhos legais, cotas e épocas de pesca variam conforme o local e a temporada: verifique sempre a regulamentação local vigente antes de pescar.
Outros nomes
Aimara é um nome ameríndio, adotado tal como está pelo francês da Guiana e pelas línguas europeias, à falta de qualquer outro candidato.
O Brasil, por sua vez, procede por aumentativo: trairão, a traíra grande, construído sobre o nome do congênere menor e mais espalhado. O sufixo diz tudo o que um pescador brasileiro precisa saber — mesmo peixe, outra categoria.
O inglês junta os dois sistemas, aimara wolf fish, o que dá um nome que não pertence a língua nenhuma.
Fontes: fishbase.se · api.gbif.org