
Pirarucu
Arapaima gigas · Arapaimidae
- Água doce
- Predadores
- Difícil
- Regulamentado
- Tamanho
200–450 cm
- Peso
64–200 kg
- Temp. água
25–29 °C
Onde pescar
- Lago
- Rio
Ícones dos ambientes: Flaticon
O arapaima é um dos maiores peixes de água doce do mundo, podendo ultrapassar 2 metros de comprimento, com corpo fusiforme coberto por grandes escamas duras com reflexos metálicos verdes e vermelhos. Predador respirador de ar, caça peixes e pequenos animais próximo à superfície nas águas amazônicas.
Calendário
A sua área de distribuição
Uma única bacia abriga a espécie, a do Amazonas, entre cinco graus norte e onze graus sul. Nada nessa faixa se parece com uma barreira: são as necessidades do animal que a desenham, uma água mantida entre vinte e cinco e vinte e nove graus e uma acidez estreita, de seis a seis e meio na escala de pH.
A documentação acrescenta um detalhe que nenhum mapa mostra. A pesca reduziu não só os efetivos, mas a presença dos indivíduos grandes, e fez isso primeiro em volta das regiões povoadas. A distribuição real tem, portanto, vazios que acompanham as cidades e as vias de circulação, não a geografia do rio.
A reprodução
O ninho é escavado na areia: uma cova de uns quinze centímetros de fundo por uns cinquenta de largura. Abril e maio são os meses da desova, e os pais não vão embora — guardam os ovos e, depois, os filhotes.
Daí saem duas exigências. É preciso um fundo arenoso descoberto, o que só existe em certos trechos da rede de drenagem; e é preciso que o reprodutor fique ali imóvel por semanas, em pouca profundidade, ocupado em vigiar.
A maturidade, essa, se mede em metros. Os dados publicados a colocam por volta de um metro e meio, num intervalo estreito de cento e quarenta e cinco a cento e cinquenta e quatro centímetros. Ou seja, nenhum indivíduo se reproduz antes de passar do tamanho em que a maioria dos peixes de água doce termina a vida.
A água de que precisa
O ano se divide em dois tempos. Na subida das águas, a espécie ganha as partes altas da várzea; na vazante, desce de volta para os ambientes de lago, onde passa a estação seca.
Esse vai e vem muda tudo, porque alterna duas situações opostas. Na cheia, os peixes ficam espalhados num volume imenso e coberto. Na seca, ficam fechados em lagos que se pode contornar por inteiro.
Áreas
- Várzeas amazônicas
- Lagos de meandro (cochas)
- Margens de grandes rios
- Zonas rasas com vegetação flutuante
Técnicas
- Pesca com isca viva na superfície
- Iscas grandes de superfície
- Pesca com isca morta animada
- Popper grande
Iscas
- Peixes vivos grandes
- Iscas de borracha XXL
- Poppers de superfície
- Peixes mortos naturais
Como pescá-lo
Tudo parte da respiração. A espécie é uma respiradora de ar obrigatória: as brânquias não bastam, a bexiga natatória faz o papel de pulmão, e ela precisa subir para buscar ar na superfície para seguir viva. Não é uma comodidade, é uma obrigação.
A subida se ouve. O animal aspira o ar num golpe ruidoso, descrito como característico, e o som vai longe. Um peixe desse porte anuncia, portanto, a própria posição, em intervalos regulares, sem que nada o dispense disso.
Isso inverte o modo de procurar. Em outros lugares, prospecta-se para achar o peixe; aqui, fica-se num ponto, escuta-se e olha-se, e é o peixe que aponta o lugar. A vazante torna o exercício ainda mais simples, já que as subidas passam a ser contadas dentro de um corpo d'água fechado.
Costuma-se apresentá-lo como o maior peixe de água doce do mundo. O título é disputado e os máximos publicados variam de uma fonte para outra; o tamanho comum relatado, dois metros, diz melhor o que se encontra — e é por ele que se dimensiona o equipamento.
Regulamentado — Captura muitas vezes sujeita a cotas, tamanhos, temporadas ou declarações.
Conservação
A sobreexplotação é nomeada explicitamente pelas fontes, e o mecanismo está inscrito na biologia do animal.
Um peixe obrigado a subir para respirar não consegue se esconder. A discrição, que protege todos os outros, lhe é negada: a posição dele é entregue pelo único gesto de que não pode se poupar, e um arpão basta para tirar proveito disso. Acrescente-se que o reprodutor passa semanas sobre um ninho raso em abril e em maio, e que a primeira reprodução só acontece acima de um metro e meio. A pesca retira, portanto, sobretudo peixes que ainda não desovaram, e alcança os demais justamente quando estão presos a um lugar.
A consequência se lê na descrição da área: efetivos reduzidos e, principalmente, escassez dos exemplares grandes perto das zonas habitadas. Não é um declínio uniforme, é um gradiente que parte das pessoas.
A espécie consta do anexo II da CITES, o que coloca seu comércio internacional sob vigilância. Um anexo disciplina o que atravessa uma fronteira; a pesca descrita aqui acontece no rio. Vale saber, por fim, que a avaliação mundial de referência é de 1996: o marco regulatório e o conhecimento especializado não têm a mesma idade.
Regulamentação
Consulte a regulamentação local vigente (tamanho mínimo, períodos de defeso, cotas de pesca).
Apenas para orientação. Tamanhos legais, cotas e épocas de pesca variam conforme o local e a temporada: verifique sempre a regulamentação local vigente antes de pescar.
Outros nomes
Pirarucu no Brasil, paiche no Peru e no alto da bacia, arapaïma em francês — o peixe muda de nome conforme seja pescado no curso principal ou perto dos Andes, embora nenhuma fronteira biológica separe essas águas.
O gênero tem família própria, os arapaimídeos, que reúne só ele e seus parentes próximos. É uma posição rara num catálogo em que a maioria das espécies divide a família com dezenas de outras.
Fontes: fishbase.se · api.gbif.org