
Tainha-de-lábio-grosso
Chelon labrosus · Mugilidae
- Mar
- Mar costeiro
- Médio
- Tamanho
32–75 cm
- Peso
0,4–4,5 kg
- Longevidade
25 anos
- Profundidade
2–15 m
Onde pescar
- Estuário
- Praia
- Costa rochosa
Ícones dos ambientes: Flaticon
A tainha de lábio grosso é um mugilídeo robusto reconhecível pelo lábio superior espesso e crenulado que lhe dá o nome. O dorso é cinza-esverdeado, os flancos prateados com listras escuras; frequenta costas rochosas e estuários.
Calendário
A sua área de distribuição
A espécie ocupa o Atlântico oriental da Islândia, das Faroé e do sul da Noruega até Cabo Verde; os Açores marcam seu limite oeste. Ocupa também o Mediterrâneo e o mar Negro.
Reconhecê-lo
O lábio superior é espesso, carnudo, e é ele que dá nome à espécie em todas as línguas. Nas outras tainhas da mesma costa, esse lábio é fino.
Cinco espinhos na primeira dorsal, sete a nove raios moles na segunda, três espinhos anais e oito ou nove raios. O corpo é alongado, cinza-prateado.
A reprodução
A reprodução acontece no mar, no inverno. Ovos e larvas são pelágicos.
O trajeto dos juvenis é preciso e tem data: com uns dois centímetros, eles alcançam as lagunas costeiras e os estuários de abril a junho, e voltam ao mar durante o verão.
Esse vaivém é o centro da biologia da espécie. A laguna não é um ambiente de reforço, e sim um berçário obrigatório, ocupado durante uma janela de poucas semanas.
As fêmeas são maiores que os machos. A maturidade chega por volta dos vinte e nove centímetros e meio.
A água de que precisa
Os adultos vivem perto da costa, em cardumes, e entram com frequência nas lagunas salobras e na água doce. A profundidade é pequena, de dois a quinze metros.
Fazem migrações ocasionais, com tendência a subir para o norte no verão, quando as temperaturas sobem.
A passagem pela água doce é real, e não um episódio isolado: encontra-se a espécie nos estuários e até nos trechos baixos dos rios, o que faz dela um peixe marinho que às vezes se pesca muito longe do mar.
Áreas
- Estuários e marismas costeiros
- Cais e molhes
- Praias rochosas
- Lagoas salobras
Técnicas
- Pesca de arrasto com pão
- Pesca à inglesa fina
- Feeder costeiro leve
- Float fishing em estuário
Iscas
- Pão de forma duro
- Minhoca de lama
- Milho
- Alga verde
- Farinha de pão
Do que se alimenta
Os adultos comem sobretudo diatomáceas bentônicas, algas epífitas, pequenos invertebrados e detritos. Os juvenis só comem zooplâncton.
Essa troca completa de dieta entre o jovem e o adulto é estruturante: o juvenil filtra em plena água, o adulto raspa o sedimento e as superfícies. São dois peixes diferentes dentro do mesmo corpo.
Raspar o sedimento pressupõe uma moela, um estômago musculoso que tritura a areia engolida junto com o alimento — órgão raro entre os peixes e característico das tainhas.
Como pescá-lo
O lábio grosso e a dieta de raspador mandam em tudo. Um peixe que rala diatomáceas, algas e detritos não ataca presa: ele suga e raspa, e as iscas que funcionam são moles, vegetais ou pastosas — pão, massa, alga, minhoca fina.
O toque, por consequência, é discretíssimo, e essa é a principal dificuldade da pescaria: o peixe prova, suga, cospe, e uma boia que mal se mexeu costuma ser o único sinal.
Os pontos são as águas calmas e rasas onde o sedimento se acumula: portos, estuários, bocas de rio, molhes. A tolerância à água doce leva a espécie bem alto nos estuários.
A janela de abril a junho concentra os juvenis nas lagunas; os adultos, por sua vez, deslocam-se para o norte no verão.
A longevidade chega a vinte e cinco anos: os maiores exemplares têm atrás de si duas décadas de raspagem.
Conservação · Quase ameaçada (UICN) — Esta espécie está em declínio. Solte suas capturas rapidamente e manuseie com cuidado — mãos molhadas e o mínimo de tempo possível fora da água.
Conservação
O berçário lagunar é o ponto de ruptura, e ele tem data. Um juvenil de dois centímetros que não encontra uma laguna acessível entre abril e junho está perdido, e o adulto no mar não mostra nada dessa perda durante anos.
As obras nas lagunas costeiras e o fechamento das barras — as passagens que as ligam ao mar — agem, portanto, diretamente sobre o recrutamento, sem tocar num único peixe adulto.
A longevidade de vinte e cinco anos acaba de mascarar o problema: uma população pode exibir belos peixes muito tempo depois de ter parado de se renovar.
Regulamentação
Consultar a regulamentação local vigente (tamanho mínimo legal, períodos de defeso, cotas).
Apenas para orientação. Tamanhos legais, cotas e épocas de pesca variam conforme o local e a temporada: verifique sempre a regulamentação local vigente antes de pescar.
Outros nomes
Tainha-de-lábio-grosso em português. Thicklip grey mullet em inglês, lisa em espanhol, cefalo bosega em italiano, mulet lippu em francês. Em francês, aliás, a palavra mulet cobre meia dúzia de espécies que só o lábio, o olho ou a mancha peitoral permitem separar.
Fontes: fishbase.se · api.gbif.org