
Barbo europeu
Barbus barbus · Cyprinidae
- Água doce
- Carpas e brancos
- Difícil
- Tamanho
40–120 cm
- Peso
0,5–12 kg
- Longevidade
15 anos
- Temp. água
10–24 °C
Onde pescar
- Rio
Ícones dos ambientes: Flaticon
Corpo fusiforme com 4 barbilhões - Combatividade excepcional - Um peixe esportivo muito apreciado
Calendário
A sua área de distribuição
O barbo europeu ocupa a Europa ao norte dos Pirineus e dos Alpes, do Adour ao Niemen, nos rios que drenam para o Atlântico, para o mar do Norte e para o sul do Báltico. Também está nas bacias que vão do Danúbio ao Dnieper, ao norte do mar Negro, e no sudeste da Inglaterra até Yorkshire.
Na França, aparece em quase todas as bacias mediterrâneas. Introduções o instalaram no norte e no centro da Itália, em vários rios ingleses — Wear, Tees, Medway — e na maior parte das bacias do oeste da Inglaterra.
Reconhecê-lo
Quatro barbilhões cercam a boca, que fica embaixo do focinho, e o lábio inferior é grosso, com uma almofada carnuda no meio. Esse é o equipamento de um peixe que vasculha o cascalho pelo tato e pelo gosto — e é o que se olha primeiro.
O segundo caráter é uma arma. O último raio simples da dorsal é ósseo e serrilhado em toda a margem de trás: uma serra que corta a linha e rasga a mão de quem segura o peixe pelo dorso. A dorsal é pontuda, e sua borda posterior, francamente côncava.
O corpo é cilíndrico, quase fusiforme, feito para aguentar a correnteza. O dorso é verde-bronze, os flancos amarelados, o ventre claro; os jovens trazem manchas escuras que somem depois de uns dez centímetros.
As contagens confirmam: cinquenta e três a sessenta e três escamas na linha lateral, doze a quatorze fileiras entre a origem da dorsal e essa linha, e a origem das ventrais no mesmo plano vertical da origem da dorsal.
A reprodução
A desova do barbo europeu é um tumulto. Os machos se juntam no local de desova e acompanham as fêmeas maduras até corredeiras rasíssimas, num alvoroço de respingos que se vê e se ouve da margem.
Duas estratégias masculinas convivem ali. Uns cortejam e escoltam a fêmea até o ponto, e um deles se posiciona cabeça com cabeça no momento da emissão; outros esperam parados no lugar e se enfiam no casal no instante exato, fecundando de passagem. Já se contaram até cento e trinta machos em volta de um único ato de desova.
Os ovos não são adesivos e saem em duas ou três levas, em covas abertas no cascalho. A fêmea desova, portanto, com vários machos e reparte a postura, o que embaralha a descendência e amortece a perda de um local.
Esses ovos são tóxicos para o ser humano. O fato é antigo e bem estabelecido, e é a única razão pela qual um peixe inofensivo em tudo o mais aparece no capítulo das espécies de risco: a carne se come, as ovas nunca.
A água de que precisa
Seu domínio vai da zona pré-montanhosa à planície, em rios claros e quentes, médios a grandes, de correnteza rápida e fundo de cascalho. Na tipologia dos cursos d'água, é dele que a zona dos barbos tira o nome. De vez em quando frequenta lagos.
De dia, os adultos se agrupam e ficam abrigados, sob as árvores que pendem sobre a água ou sob as pontes. A atividade chega ao pico no amanhecer e no entardecer; já as larvas e os juvenis ficam ativos tanto de dia quanto de noite.
Os jovens ocupam as margens rasíssimas, encostados no fundo, e ganham os veios rápidos à medida que crescem. Essa separação por tamanho espalha a população por toda a largura do rio.
O inverno muda a posição dele por completo. Os barbos se reúnem em grupos grandes nos trechos de água lenta, onde passam a estação fria ora parados, ora comendo pouco. Procurar um barbo em janeiro na corredeira de agosto é erro de estação, não de técnica.
Áreas
- Correntes fortes
- corredeiras
- leitos de cascalho
- zonas oxigenadas
Técnicas
- Feeder
- Bolonhesa
- Iscas artificiais
Iscas
- Minhocas
- Pellets
- Larvas
- Queijo
Do que se alimenta
Come principalmente invertebrados de fundo: pequenos crustáceos, larvas de insetos, moluscos, larvas de efemerópteros e de quironomídeos. Também pega peixinhos e, na ocasião, algas.
Seus barbilhões carregam receptores químicos e táteis que lhe permitem separar o que presta no substrato sem precisar enxergar. É o que o autoriza a se alimentar na água turva depois de uma cheia, quando os predadores que caçam pela vista ficam parados — e é por isso que uma enchente barrenta costuma ser boa notícia para quem o procura.
Como pescá-lo
O barbo se pesca no fundo, dentro da correnteza, com uma montagem que fica no lugar. Todo o resto decorre daí: chumbada pesada o bastante para ancorar, linha de ponta resistente o bastante para não ceder na primeira arrancada, anzol proporcional a iscas encorpadas.
A força dele foge do padrão para um peixe desse porte. Em vez de sofrer o veio d'água, ele o usa: atravessa-se nele e desce junto. A briga se resolve rio abaixo e de viés, nunca na força direta.
Os pontos são fáceis de ler. Caudas de corredeira, quebras de cascalho, poços logo abaixo das águas rápidas, a sombra das pontes e das árvores tombadas. A atividade segue a luz: as duas horas em volta do amanhecer e do entardecer valem todo o resto do dia.
Uma precaução se impõe na hora de tirar o anzol. O raio serrilhado da dorsal corta, e a mão deve pegar o peixe por baixo, pela barriga, em vez de passar por cima do dorso. As ovas, essas, não se comem em preparo nenhum.
Conservação
Nada ameaça o barbo europeu na escala da sua área.
Ainda assim, a dependência de cascalho limpo e de correnteza o deixa sensível às mesmas alterações que atingem os salmonídeos: extração de areia e brita, assoreamento por sedimentos finos, barramentos que fecham o acesso aos locais de desova e uniformizam as vazões. Um rio retificado conserva seus barbos adultos muito depois de ter parado de produzi-los.
Onde foi introduzido fora da área natural, concorre com os barbos locais e se hibrida com eles, o que cria na Itália um problema documentado de diluição genética.
Regulamentação
Tamanho mínimo 30-40cm conforme a zona / Defeso durante a desova
Apenas para orientação. Tamanhos legais, cotas e épocas de pesca variam conforme o local e a temporada: verifique sempre a regulamentação local vigente antes de pescar.
Outros nomes
Barbeau fluviatile ou barbeau commun em francês, barbel em inglês, Barbe em alemão, barbo em espanhol e em italiano. Em todas essas línguas o nome vem dos barbilhões, e no mar ele designa um peixe completamente diferente, o salmonete, o que basta para embaralhar uma conversa.
Fontes: fishbase.se · api.gbif.org