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Pata-roxa
Foto: Piscary

Pata-roxa

Scyliorhinus canicula · Scyliorhinidae

  • Mar
  • Tubarões e raias
  • Médio
  • Regulamentado
  • Tamanho

    60–100 cm

  • Peso

    0,7–3,7 kg

  • Longevidade

    12 anos

  • Profundidade

    10–780 m

Onde pescar

  • Praia
  • Costa rochosa

Ícones dos ambientes: Flaticon

Pata-roxa - peixe costeiro marinho, Atlântico Oriental/Mediterrâneo. Vive sobre as plataformas continentais e os taludes superiores, em fundos arenosos, coralinos, algálicos, de cascalho ou lamacentos

Calendário

Registrada em 31 países

Albânia · Alemanha · Argélia · Bélgica · Camarões · Costa do Marfim · Croácia · Dinamarca · Espanha · França · Gabão · Gana · Grécia · Guernsey · Guiné · Guiné-Bissau · Ilha de Man · Irlanda · Itália · Jersey · Libéria · Marrocos · Nigéria · Noruega · Países Baixos · Portugal · Reino Unido · República do Congo · Senegal · Serra Leoa · Suécia

Registros do GBIF, espécies nativas e introduzidas sem distinção.

A sua área de distribuição

A área se lê como uma faixa de plataforma continental: mar do Norte desde a costa sudoeste da Suécia até Copenhague, mar da Noruega, costa atlântica da Irlanda a Portugal, todo o Mediterrâneo, e depois a costa africana até o norte da Mauritânia. Ela se interrompe por volta dos vinte graus de latitude norte.

Esse traçado segue a plataforma, não o oceano. O animal vive pousado no fundo e não atravessa as grandes profundidades: sua distribuição é uma orla costeira, não uma superfície.

A profundidade que ocupa, por sua vez, muda com a latitude, e é aí que está o ponto interessante. No Atlântico nordeste, ela se mantém entre dez e cem metros. No Mediterrâneo, desce a quatrocentos. No mar Jônico oriental, foi registrada entre 288 e 780 metros. A explicação cabe numa linha: ela busca a mesma água fria, e essa água fica mais embaixo onde a superfície é mais quente.

Reconhecê-lo

Duas pata-roxas dividem as costas europeias, e um único caráter basta para separá-las, desde que se saiba onde olhar. A régua é o espiráculo, esse pequeno orifício respiratório logo atrás do olho. Na pata-roxa, as manchas escuras do dorso são nítidas, apertadas, e no geral menores do que ele. Na sua prima maior, elas o ultrapassam. A medida se tira no próprio animal, sem referência externa.

O segundo caráter fica debaixo do focinho e vale a pena virar o peixe para vê-lo. Curtos sulcos ligam as narinas à boca, e as aletas nasais posteriores ficam nas laterais. A distância entre as aletas nasais anteriores equivale a seis a sete vezes e meia sua própria largura; na maioria dos outros membros do gênero, essa proporção cai para duas. O sulco labial inferior mede um pouco menos da metade da largura da boca.

O corpo é alongado, de seção oval, e a pele raspa a mão passada a contrapelo. O sexo se lê à primeira vista: os machos trazem dois cláspers na base das nadadeiras pélvicas, cuja ponta é áspera nesta espécie. O detalhe não é uma curiosidade de anatomista, porque os dois sexos não ficam no mesmo lugar ao longo do dia.

A reprodução

Uma cápsula por oviduto, nunca duas de uma vez, e a operação se repete o ano todo. O ritmo culmina em junho e julho, mas cápsulas frescas se encontram em qualquer estação.

A cápsula é uma caixa córnea de cinco a sete centímetros de comprimento por um e meio a três de largura, cujas dimensões variam com a localidade e com o tamanho da fêmea. Cada canto traz um longo filamento que se enrola no que encontra pela frente: uma alga, uma fanerógama marinha, uma esponja, um briozoário, um hidroide ereto. Sem esse ponto de fixação, a caixa rola e acaba enterrada na areia. A desova depende, portanto, de um fundo estruturado, a poucos metros de água, ao alcance da arrebentação; algumas cápsulas já foram encontradas até na parte baixa da faixa de vaivém das marés.

O embrião não recebe mais nada da mãe depois da postura: vive do próprio vitelo, e de mais nada. A incubação dura de cinco a onze meses conforme a temperatura, intervalo considerável que faz eclodir com meses de diferença filhotes concebidos ao mesmo tempo. O recém-nascido mede oito a dez centímetros e já se parece com o adulto.

Uma fêmea do Atlântico nordeste produz vinte e nove a sessenta e dois filhotes por ano. É pouco para um peixe ósseo, muito para um tubarão.

A água de que precisa

Fundos moles ou mistos — areia, cascalho, lama, fundos coralígenos, tapetes de algas — na plataforma e no alto do talude. O animal chega a nadar entre duas águas, mas o essencial de sua vida se passa deitado.

O dia separa os sexos, e esse é o fato mais útil de sua ficha. Os machos ficam pousados diretamente no substrato. As fêmeas se escondem em grutas e reentrâncias, sob meio metro a um metro e meio de água. Os machos vão buscar alimento nos fundos moles ricos em presas e sob os tapetes de algas filamentosas. Um poste rochoso prospectado de dia dá fêmeas, um fundo de areia dá machos: a proporção entre os sexos numa saída diz sobretudo onde se pescou.

O animal é noturno. De dia, ele descansa; a atividade começa quando a luz cai.

Áreas

  • Fundos rochosos e arenosos costeiros
  • Pradarias marinhas e algas submersas
  • Baías e enseadas rochosas

Técnicas

  • Pesca de fundo em paternoster
  • Surfcasting
  • Espinhel de fundo

Iscas naturais e artificiais

  • Minhoca-do-mar
  • Caranguejo
  • Lula
  • Mexilhão

Do que se alimenta

Invertebrados bentônicos, em sua maioria: moluscos, crustáceos, pequenos cefalópodes, vermes poliquetas, com alguns peixes ósseos pequenos como complemento. Nada de grande, nada de rápido.

A caçada acontece de noite sobre um fundo mole, ou seja, em condições em que a visão não serve para nada e boa parte das presas está enterrada. A ferramenta que resolve o problema é elétrica: a pata-roxa percebe os campos fracos emitidos pelos organismos vivos. Um verme na toca não se vê e mal se sente, mas emite, e é esse sinal que o denuncia.

Como pescá-lo

Ela morde de noite, no fundo, com isca natural. O resto decorre do regime: pedaços que soltam cheiro, pousados sobre areia ou cascalho, e espera. A tocada não tem nada de brutal — o animal chega, gira, fecha a boca e sai puxando de leve, de modo que o sinal lembra mais um engate que cede do que um ataque.

Duas coisas estragam o equipamento. A pele primeiro, coberta de dentículos que gastam um fio de linha fino em poucos segundos de rolamento. A defesa depois: o animal se enrola no que encontra, linha, antebraço, aro de puçá, e uma pata-roxa enroscada em si mesma não se desenreda sem ser maltratada. Um pano molhado e uma mão sob a barriga valem mais que uma pegada firme.

Ela é inofensiva. A dentição é feita para conchas e vermes, não para morder: o único risco ao manuseá-la é a abrasão.

Ela morde, enfim, muitas vezes quando se procura outra coisa. Sobre um fundo de areia, à noite, é ela quem acha a isca primeiro.

Regulamentado — Captura muitas vezes sujeita a cotas, tamanhos, temporadas ou declarações.

Conservação

O que pesa sobre a espécie não pesa sobre o adulto, mas sobre a cápsula. Uma caixa córnea precisa de um suporte ereto para se firmar — uma alga, uma esponja, um hidroide —, e um fundo raspado não oferece mais nenhum. O que passa a faltar não falta ao peixe: falta ao ovo, meses antes da eclosão.

Quanto ao resto, é o selacídeo mais comum das águas costeiras europeias, e suas medidas explicam por quê. Torna-se adulta por volta dos cinquenta centímetros — de trinta e cinco a sessenta e quatro conforme as populações — e vive uma dúzia de anos. Sua prima maior, que frequenta os mesmos mares, amadurece por volta dos setenta e oito centímetros e chega aos dezenove anos; é essa que retrocede. Uma espécie pequena, precoce e prolífica aguenta uma pressão de pesca que uma espécie grande e tardia não suporta.

Os desembarques existem, mas seguem modestos: carne vendida fresca ou salgada-seca, óleo, farinha de peixe. A maior parte do que é capturado não era procurada, e o destino da espécie se joga aí, mais do que nas bancas.

Regulamentação

Consultar a regulamentação local vigente (tamanho mínimo, períodos de defeso, cotas).

Apenas para orientação. Tamanhos legais, cotas e épocas de pesca variam conforme o local e a temporada: verifique sempre a regulamentação local vigente antes de pescar.

Outros nomes

Pata-roxa é chamada de petite roussette em francês, ou de saumonette nas peixarias depois de tirada a pele e cortada a cabeça — o corte comercial apaga exatamente os caracteres que permitiam identificá-la. O inglês, o alemão e o italiano viram nele um gato: lesser spotted dogfish ou small-spotted catshark em inglês, Kleingefleckter Katzenhai em alemão, gattuccio em italiano; o espanhol pintarroja não guarda nada disso.

A cápsula do ovo tem nome próprio, herdado das coletas de destroços marinhos: bolsa-de-sereia. Emaranhada nas algas encalhadas, ela é mais familiar ao caminhante da praia do que ao pescador.

Fontes: api.gbif.org

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