
Tubarão-tigre
Galeocerdo cuvier · Carcharhinidae
- Mar
- Tubarões e raias
- Médio
- Regulamentado
- Perigoso
- Tamanho
500–750 cm
- Peso
1.583–807 kg
- Longevidade
50 anos
- Profundidade
0–800 m
Onde pescar
- Estuário
- Recife
- Alto-mar
Ícones dos ambientes: Flaticon
O tubarão-tigre é um grande predador costeiro facilmente reconhecível pelas listras transversais escuras nos flancos, mais visíveis nos juvenis. Seu focinho largo e arredondado, dentes serrilhados e dieta ampla fazem dele um dos tubarões mais intimidantes.
Calendário
Registrada em 21 países
África do Sul · Alemanha · Austrália · Bahamas · Bangladesh · Brasil · Colômbia · Equador · Estados Unidos · Fiji · França · Ilha Norfolk · Ilhas Faroé · Islândia · Maldivas · México · Nova Caledônia · Polinésia Francesa · Porto Rico · Reino Unido · Svalbard e Jan Mayen
Registros do GBIF — espécies nativas e introduzidas sem distinção.
A sua área de distribuição
A área dá a volta no globo entre sessenta e dois graus norte e quarenta e quatro graus sul, o que inclui águas francamente temperadas: a Islândia de um lado, a Nova Zelândia do outro. Os registros mais setentrionais correspondem a incursões ao longo das costas, não a uma presença permanente.
O formato dessa área vem de uma contradição. O animal está entre os grandes migradores e atravessa o oceano, mas não é oceânico: continua preso às plataformas continentais e insulares, e seus trajetos em água aberta são travessias, não um modo de vida. Daí sua presença em torno de ilhas isoladas, muito longe de qualquer continente — Revillagigedo, Cocos, Galápagos, Havaí, Taiti. Cada ilha é uma plataforma, e basta que exista uma para que ele pare ali.
Reconhecê-lo
O dente é a peça central e não tem equivalente. Largo, em crista de galo, grosseiramente serrilhado em toda a margem, com um entalhe profundo na borda externa e a ponta voltada obliquamente para fora. Não é uma lâmina, é um abridor de latas: o entalhe segura, a serrilha corta, o movimento da cabeça faz o resto. Nenhum outro tubarão tem essa dentição.
O focinho combina com ele. Muito curto e muito largo, arredondado na ponta, seu comprimento fica bem abaixo da largura da boca — o oposto exato do perfil afilado dos caçadores de alto-mar. Os sulcos labiais superiores são longos, mais ou menos do tamanho do focinho, e sobem até a altura da frente dos olhos: um caráter fácil de conferir e que não engana.
As listras, essas sim, enganam. Verticais, escuras, acompanhadas de manchas retangulares nos flancos e nas nadadeiras, elas se apagam com o crescimento. Um juvenil é nitidamente tigrado; um adulto de cinco metros pode não trazer traço nenhum. Procurar as barras num exemplar grande leva a descartá-lo por engano.
Restam dois detalhes de silhueta: os espiráculos são pequenos mas bem visíveis, em fenda, e as quilhas caudais são baixas.
A reprodução
Os embriões se desenvolvem no útero sem ligação placentária com a mãe, o que isola a espécie dentro da sua família: os demais carcarrinídeos alimentam os filhotes por uma placenta, este não. Cada um vive das próprias reservas.
A ninhada é considerável — de dez a oitenta e dois, com até oitenta filhotes medidos — para recém-nascidos de cinquenta e um a cento e quatro centímetros, na maioria das vezes em torno de sessenta. Um tubarão que nasce com um metro praticamente não tem predador desde a primeira hora.
A gestação dura de treze a dezesseis meses, e o acasalamento acontece antes mesmo de as fêmeas prenhes terem parido. Não existe, portanto, intervalo de recuperação: a fêmea emenda uma gestação na outra. É isso que compensa a lentidão do resto, porque a maturidade só chega aos três metros — de dois metros e dez a três metros e cinquenta conforme o indivíduo — para uma longevidade de uns cinquenta anos.
A água de que precisa
É um tubarão de beira. Frequenta estuários, as imediações de cais e molhes nos portos, atóis de coral e lagoas — lugares de água turva, rasa e movimentada. Está associado ao fundo com mais frequência do que à água aberta, e sobe sem dificuldade pela água salobra.
A profundidade habitual vai da superfície aos cento e quarenta metros, com descidas registradas a trezentos e cinquenta em torno do Taiti e até oitocentos metros no extremo. Essa amplitude é a de um animal sem nível de predileção, que se desloca para onde há o que comer.
Sua atividade é noturna, e só essa informação amarra todo o resto. Um predador que caça à noite, numa água carregada, perto do fundo, em áreas frequentadas por banhistas e embarcações, não identifica aquilo de que se aproxima nas mesmas condições que um caçador de vista em água aberta.
Áreas
- Recifes de coral
- Estuários tropicais
- Baixios insulares
- Águas costeiras profundas
Técnicas
- Pesca noturna com isca viva de barco
- Isca morta manuseada no fundo
- Chum e deriva
- Traineira costeira lenta
Iscas
- Arraias inteiras
- Pedaços de atum
- Grandes peixes inteiros
- Lulas gigantes
- Cabeças de peixe
Do que se alimenta
A lista de suas presas é a mais longa já montada para um tubarão, e o que interessa nela não é o tamanho, e sim a ausência de lógica. Outros tubarões, raias, peixes ósseos, tartarugas marinhas e tartarugas terrestres, mamíferos marinhos até botos e baleias, aves marinhas, serpentes marinhas, lulas, gastrópodes, crustáceos, detritos. Somam-se a isso espécies em que nada mais toca: o peixe-vaca-de-chifres e o baiacu-de-espinho, um tóxico, o outro encouraçado de espinhos.
É a dentição que torna esse cardápio possível. Um dente em crista de galo, entalhado e serrilhado, abre um casco de tartaruga e recorta uma carcaça de cetáceo — dois recursos que nenhum outro predador do seu porte consegue explorar. O animal não é onívoro por curiosidade: é onívoro porque sua ferramenta não lhe proíbe nada.
O resto da lista incomoda mais. Ele consome carniça e lixo, e os estômagos examinados entregaram latas de conserva, pedaços de metal e sacos de lona. Um predador que engole metal não seleciona pelo paladar: primeiro experimenta e depois cospe, ou nem cospe.
Como pescá-lo
Três fatos governam essa pesca, e o primeiro é a segurança. A espécie é traumatogênica e vem em segundo lugar, atrás do grande tubarão-branco, no número de ataques documentados, vinte e sete no mínimo. Ela frequenta justamente as águas em que as pessoas se banham e em que se põe um barco na água. Uma captura trazida ao longo do casco continua operante, e sua dentição foi feita para serrar o que segura.
O segundo é a hora. Ele caça à noite, e é por isso que a isca viva se pratica depois do anoitecer, fundeado ou à deriva, em pouca profundidade. O chum ganha aí todo o seu sentido: um animal que consome carniça sobe um rastro de cheiro melhor que a maioria dos predadores, e vem de longe.
O terceiro é a massa, e os recordes não batem entre si: um exemplar gigante pego ao largo da Indochina foi anunciado com mais de três toneladas, número que nada confirma e que dá a medida do que as histórias acrescentam. Mesmo ficando nos valores verificados, trata-se de um animal que não se sobe a bordo e que se desanzola na água, à distância, com uma ferramenta longa.
Regulamentado — Captura muitas vezes sujeita a cotas, tamanhos, temporadas ou declarações.
Perigoso — Manuseio arriscado: equipamento, soltura e segurança devem ser adaptados.
Conservação · Quase ameaçada (UICN) — Esta espécie está em declínio. Solte suas capturas rapidamente e manuseie com cuidado — mãos molhadas e o mínimo de tempo possível fora da água.
Conservação
As ninhadas grandes enganam. Oitenta filhotes por parto dão a imagem de uma espécie prolífica, quando a renovação se decide em outros dois números: três metros antes de uma primeira reprodução, uns cinquenta anos de vida. A fêmea passa o grosso da existência chegando ao tamanho em que começa a contar, e é justamente essa classe que a pesca retira primeiro, já que são os grandes exemplares que se procuram.
Sua distribuição agrava o problema. Estuários, portos, lagoas, arredores de atóis: são as águas mais pescadas do planeta, e um tubarão costeiro não tem o refúgio do alto-mar de que dispõe uma espécie oceânica. Soma-se a isso um comércio que absorve o animal inteiro, carne, barbatanas, pele, óleo de fígado, cartilagem e mandíbulas, até virar farinha — ali, uma captura indesejada continua sendo uma captura rentável.
Ele está, por fim, entre as raras espécies cuja reputação as expõe a campanhas de abate. Várias regiões do mundo organizaram campanhas assim depois de ataques, mirando-o pelo nome. Essas operações retiram adultos, ou seja, exatamente a fração de que depende a renovação, e recaem sobre um animal que, de resto, livra suas águas das carniças.
Regulamentação
Consulte a regulamentação local vigente (tamanho mínimo legal, períodos de defeso, cotas).
Apenas para orientação. Tamanhos legais, cotas e épocas de pesca variam conforme o local e a temporada: verifique sempre a regulamentação local vigente antes de pescar.
Outros nomes
Tubarão-tigre em todas as línguas do catálogo, por causa das barras escuras do juvenil. O nome descreve, portanto, um animal jovem, e fica impreciso nos grandes exemplares, naqueles em que o desenho já sumiu — um caso raro o bastante para merecer registro.
O epíteto cuvier homenageia Georges Cuvier. O nome de gênero, Galeocerdo, junta duas raízes gregas que designam a doninha e a raposa, animais aos quais os autores antigos comparavam de bom grado os tubarões, sem que a semelhança salte aos olhos.
Fontes: fishbase.se · api.gbif.org